O que são cuidados paliativos?

Cuidados Paliativos
09. maio .2017

O que são cuidados paliativos?

Os Cuidados paliativos foram definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ações que consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, ou seja, como uma forma de aliviar o sofrimento com compaixão, controlando os sintomas e a dor, buscando oferecer qualidade e bem-estar enquanto o paciente estiver sendo assistido.

A médica do Valencis, Dra. Clarice Nana Yamanouchi, explica um pouco mais sobre determinados pontos dos Cuidados paliativos, serviço que cresceu bastante no Brasil na última década.

Confira:
Valencis – Somente pacientes crônicos podem utilizar os Cuidados paliativos?
Dra. Clarice Nana Yamanouchi – Os Cuidados paliativos também envolvem suporte terapêutico, mesmo o paciente em vigência em tratamento curativo a intenção é de ter o suporte, principalmente em controle de dor e outros sintomas que causem desconforto ao paciente e que pode impedir que ele prossiga com o tratamento por causa de complicações.

Cuidados paliativos na verdade não envolvem só a terminalidade, o serviço pode começar quando o paciente recebe o diagnóstico de uma doença potencialmente letal.

 

Valencis – Quando sabemos que é o momento de usar os Cuidados paliativos?

Dra. Clarice Nana Yamanouchi – Quando se tem dificuldade de controlar os sintomas, como uma dor refrataria, alguma outra queixa, como quadro depressivo, exacerbação de vômitos, falta de ar, essas são geralmente as queixas mais frequentes. Devemos manter o paciente protegido aos nossos olhos e acompanhá-lo enquanto precisar.

Valencis – Os pacientes e familiares já têm esse conhecimento da finalidade do serviço de Cuidados paliativos?

Dra. Clarice Nana Yamanouchi – Não, pois o conceito está muito relacionado com a terminalidade, e as pessoas acreditam que vai chegar aos Cuidados paliativos no final de vida, mas essa não é a intenção, e sim evitar que chegue ao final da vida em sofrimento. É preciso ter qualidade de vida enquanto está vivo. Aumentar a qualidade de vida na medida do possível para tentar enfrentar o tratamento.

Ninguém gosta de encarar a finitude como ser humano, mas os Cuidados paliativos vão dar suporte diante dessa doença que pode ser letal, evitando um sofrimento maior do que já está acontecendo.
Valencis – Como é trabalhada a questão psicológica e física?

Dra. Clarice Nana Yamanouchi – Usamos muito o conceito da dor total, idealizado pela matriarca dos Cuidados paliativos moderno, a assistente social, enfermeira e médica inglesa Cicely Saunders (1918-2005), que publicou um estudo onde mostra que alguns sintomas que se sobressaem na oncologia estão relacionados ao diagnóstico, sensação de finitude, perdas sociais e econômicas que podem acontecer durante o tratamento, além das hospitalizações e procedimentos dolorosos. Tudo isso pode fazer com que a sensação de dor aumente, mas não indica que é somente física e sim um sofrimento físico e psíquico ou cultural. Por isso, é de extrema importância a presença de toda a equipe multidisciplinar, possibilitando atender o paciente em todos os aspectos que ele necessita.

Por isso, é de extrema importância a presença de toda a equipe multidisciplinar, possibilitando atender o paciente em todos os aspectos que ele necessita.

Valencis – Qual a realidade dos Cuidados paliativos no Brasil e no mundo?

Dra. Clarice Nana Yamanouchi – Os países de Primeiro Mundo, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, são referência em Cuidados paliativos. O Brasil ainda precisa se fortalecer nesta questão, mas na última década muito tem sido feito. Hoje em dia, o Conselho Federal de Medicina (CFM) já considera os Cuidados paliativos como uma área de atuação e especialidade médica, inclusive com residências em alguns hospitais do país. Outra novidade é a inclusão nas faculdades de medicina brasileiras da cadeira de Cuidados paliativos, espalhando ainda mais o conhecimento sobre o tema para os futuros médicos. Atualmente existe uma mobilização do CFM e das organizações que trabalham com Cuidados paliativos para fazer o assunto se tornar mais visível ao público para que eles entendam melhor do que se refere e todos os seus benefícios.

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