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Você sabe como é a terapia nutricional para pacientes paliativos?

Nutrição
25. maio .2020

Você sabe como é a terapia nutricional para pacientes paliativos?

Você sabe como é a terapia nutricional para pacientes paliativos? 

 O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa traz para o verbo alimentar as seguintes definições: dar alimento, servir de alimento, ser nutritivo, dentre outras. Para nós, alimentar pode ser muito mais, porque alimentar envolve carinho, afeto e vida, para além das necessidades nutricionais necessárias para o dia a dia.

Quando se fala em nutrição para pacientes paliativos, o cuidado alimentar passa a ser uma das estratégias terapêuticas que privilegie a melhor qualidade de vida.  Esse cuidado perpassa pelo prazer, o conforto emocional e até mesmo uma integração com a família. “No Valencis Curitiba Hospice, espaço dedicado a cuidados paliativos, é possível, a depender do estado de saúde do paciente, solicitar pratos específicos, de acordo com desejos e vontades, através da avaliação do Serviço de Nutrição”, cita o médico Vinicius Basso Preti, especialista em Terapia Nutricional de Nutrição Clínica pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN/SBNPE) e chefe do Serviço.

Mas a terapia nutricional em cuidados paliativos envolve também outras questões inerentes à terminalidade, como um plano de cuidados adequados, o momento exato para se fazer o uso de um suplemento nutricional ou mesmo quando fazer a Terapia Nutricional Enteral (TNE), aquela administrada por sonda. Saiba mais sobre o assunto com as nutricionistas Karen Cardoso Inamassu e Vanessa Dreher, do Grupo IOP.

Vanessa Dreher M. Arantes, responsável pelo serviço de Nutrição do IOP Mateus Leme

Vanessa Dreher M. Arantes, responsável pelo serviço de Nutrição do IOP Mateus Leme

Como é feita a avaliação nutricional em pacientes com doenças crônicas e incuráveis?
A avaliação deverá ser realizada de acordo com a expectativa de vida, sendo: quando maior de 90 dias deverá ser realizada a Avaliação Subjetiva Global Produzida pelo Paciente (ASG-PPP), Anamnese nutricional, Sinais e sintomas e Parâmetros laboratoriais; Menor de 90 dias: ASG-PPP, Anamnese nutricional e sinais e sintomas; Cuidados ao fim da vida: Anamnese nutricional com foco nos sinais e sintomas. Uma avaliação precoce e adequada é indispensável para a elaboração de um plano integral de cuidados, individualizado e adaptado a cada momento da evolução da doença.

 É possível determinar um plano de cuidados adequados?

Sim. Neste momento é importante que os profissionais levem em consideração as preferências e expectativas dos pacientes e familiares, além da avaliação do prognóstico e da sobrevida, a fim de minimizar os riscos de subtratamento ou de tratamentos fúteis. A indicação é que para pacientes internados o acompanhamento seja realizado semanalmente e a nível ambulatorial que sejam acompanhamentos quinzenais ou conforme demanda espontânea.

Karen Cardoso Inamassu, responsável pelo serviço de Nutrição do IOP Oncoville

Karen Cardoso Inamassu, responsável pelo serviço de Nutrição do IOP Oncoville

 Quais critérios se deve levar em conta para a realização desse plano de cuidados?
Para planejar o cuidado nutricional deve-se levar em consideração o estágio tumoral, presença de metástases, capacidade funcional, predição clínica de sobrevida, história de perda de peso, caquexia, presença de sintomas, tais como: dispneia, delírio, anorexia e disfagia, e alterações laboratoriais (leucocitose, linfopenia, hipoalbuminemia e aumento da proteína C reativa).

 Quais são os indicadores nutricionais e critérios para a intervenção nutricional de acordo com a situação clínica do paciente?

Neste caso, também estará relacionado com a expectativa de vida do paciente, mas, basicamente, leva-se em consideração uma ASG-PPP com resultado de desnutrição moderada, suspeita ou grave, porcentagem de perda de peso grave ou significativa, ingestão alimentar inferior à 60% por mais de 7 dias e a presença de sinais e sintomas persistentes.

 A prescrição dietética perpassa pelo processo de avaliação do paciente e condição nutricional?

Sim. A prescrição dietética deve ser criteriosa e levar em consideração as expectativas dos pacientes e familiares e os aspectos clínicos e prognósticos. Além disso, deve-se ponderar os aspectos bioéticos envolvidos como, por exemplo, autonomia, beneficência, não maleficência e justiça.

 Podemos dizer que uma prescrição dietética colabora com o bem-estar e auxilia ao mesmo tempo melhorar a qualidade de vida do paciente?

Sem dúvida! Dentre os objetivos da prescrição dietética (Terapia nutricional) estão: prevenir ou minimizar os déficits nutricionais; reduzir complicações da desnutrição; controlar sintomas e evitar desidratação; promover conforto emocional e melhora da autoestima; melhorar a capacidade funcional e melhorar a Qualidade de Vida.

Porém, para que sejam alcançados esses objetivos, é importante que sejam considerados todos os fatores citados anteriormente.

 O suporte nutricional varia de acordo com a evolução da doença?

Sim. Porém, sempre levando em consideração o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e respeitando a aceitação e tolerância do mesmo.

 E quanto ao uso de suplementos nutricionais? Alguma estatística aponta o momento em que devem ser indicados?

Os suplementos nutricionais deverão ser indicados sempre que a ingestão alimentar do paciente for menor que 70% das necessidades nutricionais por sete dias consecutivos sem expectativa de melhora, ou para os pacientes em risco nutricional ou presença de desnutrição.

 A terapia nutricional enteral (TNE) é indicada para pacientes paliativos? Sob quais critérios?

É indicada sim, principalmente quando houver a impossibilidade de utilização da via oral e quando a ingestão via oral for menor que 60% das necessidades nutricionais por sete dias consecutivos, sem expectativa de melhora da ingestão.

 A tomada de decisão nutricional na fase de terminalidade do paciente envolve, além do profissional, a vontade do paciente e seus familiares?

Sim, respeitando os desejos, crenças e os valores dos pacientes e familiares, porém, deve-se considerar os aspectos bioéticos também envolvidos.

 

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